by lainerenata in Crônicas
Um dia as coisas mudam de lugar, e por mais que eu tenha relutado, proibido, impedido, me privado, escondido e determinado, elas mudam.
Essa história de que nada muda se você não mudar primeiro nem sempre é real. As coisas podem mudar ainda assim, caso você esteja com sua confiança depositada nEle, e Ele queira mudar.
E em toda situação que não nos favorecer, Ele vai querer mudar as coisas.
Em toda situação que nos fizer sofrer, Ele vai querer mudar as coisas.
Em toda situação que nos aprisiona e sufoca, Ele vai querer mudar as coisas.
Hoje sei o real valor e significado dessas palavras, porque Ele tem mudado essas situações na minha vida também.
Passei por um processo longo e doloroso durante alguns anos da minha vida e graças à ele e o conjunto de situações e pessoas envolvidas, me fechei para o mundo e para os sentimentos. Me proibi de aceitar intimidade com qualquer que fosse a pessoa, amiga, parente, pretendente. Meu único objetivo era não ter envolvimentos, e minha única prioridade era afastar qualquer possibilidade de relacionamento. Deu certo. Por um tempo deu muito certo. E mesmo cansada, fadigada, continuei firme e me privando.
Até que no dia 24 de setembro Amigo resolveu falar.
E como Ele falou… E como doeu ouvir!
E relembrar todas as frustrações, chorar todas elas de novo, e sentir que era a última vez que elas me incomodavam tanto… Foi quando eu admiti pra esse Amigo que não aguentava mais viver presa, e que eu sabia que Ele estava ciente de todas essas situações, inclusive da quantidade de lágrimas que derramei por cada uma e quantas noites fiquei sem dormir por isso.
O problema não era Ele saber, até então eu me incomodava por saber que mesmo sabendo, Ele “não fazia nada”, embora tivesse certeza que em nenhum momento permiti que fizesse.
Me fechei tanto, me proibi tanto que nem mesmo Ele poderia agir. Ele nunca me obrigaria a fazer nada, nem aceitar nada, e era um dos maiores motivos de eu não me deixar envolver novamente com Ele. Eu sabia que não resistiria ao seu amor,sabia que cederia. EU sabia e não queria.
Haviam muitas barreiras em mim, muitas restrições e muitas portas fechadas no meu coração e mente. Mas, para mim mesma, eu não conseguia mais mentir.
Abri muitas vezes a boca pra falar “não”, “nunca”, “não mais”… Mas no fundo era uma tentativa frustrada de me convencer que realmente não queria, não seria e não faria. Convenci muita gente, indignei outras, afastei várias, mas me reprimi até onde pude.
E eu me perguntava qual caracterísitca me faltava. Após o culto as dúvidas, confusões e toda a agonia emocional que eu vivia me perturbava e martelava em minha mente…
E, eu resolvi tentar me abrir com alguém. Por isso, tive que arriscar. Me despir da armadura e aceitar ouvir alguém (que poderia ter opinião contrária à minha). E ela tinha mesmo! Mas não em tudo e não doeu tanto quanto imaginei! Percebi que foi a melhor coisa a fazer, e que deveria ter feito muito antes!
Havia esquecido o quanto pode ser bom ter alguém pra te ouvir, e o quanto é bom ser contrariada… A contrariedade traz a inconformidade! E a inconformidade traz a mudança!
Foi isso que me ocorreu.
Enquanto Talyta me falava bons motivos para dar vazão ao sentimento, para abrir o coração para o amor , razões para permitir que eu mesma voltasse à vida, eu refletia, relutante, e sentia que estava literalmente perdendo o controle de toda essa “certeza” que eu tinha sobre minha aversão à relacionamentos. Foi uma das coisas mais difíceis das quais me recordo de ter feito, mas eu consegui admitir pra ela que mais da metade das coisas que afirmei nunca mais faria, eram na verdade as coisas que mais me doíam não ter mais.
Contei pra ela, em detalhes, todos os medos que tinha, e o quanto não conseguia me livrar deles. Eu havia desaprendido a acreditar em sentimentos, em mim mesma, em perspectivas para um futuro. Estava vivendo o presente como se fosse o fim da vida.
conversa com a Camila na noite anterior. Nada ficou esquecido por Ela, Ela novamente me mostrou que grava tudo o que eu falo, todas as lágrimas, todas as dúvidas, toda a insegurança, tudo estava sendo observado com interesse por Ela.
E enquanto ela falava sobre decisão, confiança, desprendimento, eu ouvia nitidamente meu nome nas entrelinhas.
E quando ela passou a confirmar o que Eu estava fazendo e gostaria de fazer na minha vida, entrei em pranto, derramei todo o pranto que me impedia de admitir, de aceitar, de permitir que algo novo acontecesse na minha vida…
Mas, ainda não sabia o tempo de anunciar as alegrias e por isso mantive muita coisa em segredo, coisas que ainda não relatei e não relatarei por hora, pois, eu ainda preciso ser treinada nisso (paciência e segredo) e ainda não recebi liberação para compartilhar tudo o que me passou.
E não quero, não estou pronta para ouvir negativismos a respeito, pois estou firmando um sentimento que eu sei que crescerá de acordo com o meu empenho.
Por hora, o que posso falar é que minha alegria tem nome e é real, Meu Amigos tem me enchido de alegrias, de ânimo e esperanças.
E, ainda tem me ensinado (de novo) o que é ser bem cuidada, amada e aceita.
Eu precisava compartilhar isso com vocês!
Afinal, depois de me aguentarem tantos meses lamentando minha falta de vida, nada maisjusto do que dividir com vocês também minhas alegrias.
Elaine Vasconcelos