Intimidade é algo que ela odiava.
Mas, nem mesmo ela tinha certeza que odiava, apesar de seu esforço em tentar convencer as pessoas que a cercavam disso.
Embora conhecesse muita gente, a maioria de suas relações era superficial, e as novas, bom, as novas, ela não permitia que acontecessem.
Andava sozinha, acreditando que chegaria mais rápido onde quer que resolvesse ir.
Andava sozinha porque acreditava que sem levar “pesos emocionais” se sentiria mais leve e mais disposta em sua caminhada.
Seus caminhos só ela tinha conhecimento.
Seus amigos, eram amigos dela, mas ela já não sabia se era amiga de alguém.
Seus olhos e seus olhares, milhares de enigmas.
Seus sorrisos (raros) tímidos só eram dados a quem lhe provasse alguma coisa que ela julgava ser importante a ponto de esforçar-se para sorrir.
Exagerada, desconfiada, incrédula, medrosa, insegura…
Ela era tudo isso e muito mais.
A vida a fez assim, e ele (seu coração) foi tantas vezes seu maior algoz.
A quem mais amou, mais a decepcionou.
Por quem mais se doou, mais sonhos perdeu.
A crença na vida, se esvaiu com a mesma velocidade de um piscar de olhos e na vida ela prometeu que não voltaria a crer.
Mas, inconstante como sempre foi, aceitou o desafio de ser conquistada. Desejou que alguém novamente lhe provasse algo…
E ela sorriu diante da possibilidade de um recomeço.
Com os dois pés atrás, se lançou meio sem querer numa emoção que tanto temia: o amor.
A ansiedade veio junto, as mãos suando, as pernas meio trêmulas, a necessidade de ouvir qualquer coisa que lhe fizesse sentir segura… Acolhida… Amada.
Ela tinha necessidade de crer, mas não conseguia ver além do medo.
E sua crença que começava a reaparecer, ainda era frágil demais pra se basear em suposições. Ela desejava realidade.
Mas ele foi cuidadoso. Ele foi paciente, ele a deixou confortável, e o principal, ele a acolheu em seu coração de uma forma tão doce e tão sutil que ao perceber a paz que seu amor que trazia, ela sorriu… Espontaneamente, gratuitamente!
O amor novamente lhe sorriu, e talvez ela jamais consiga ter a noção exata de todo o impacto que esse amor lhe trouxe, mas de uma coisa ela sabe: foi amada.
Que seja infinito enquanto dure, diria o poeta. Mas ela prefere pensar que viver brevemente um amor ainda é melhor do que viver no quase em que vivia. Afinal, quase vivendo sabia que já tinha morrido…
Elaine Vasconcelos
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